Título: O Pistoreiro

Série: A Torre Negra
Autor (a):  Stephen King
Editora: Objetiva
Páginas: 222
Gênero : Terror e Suspense


Diante de um mundo onde a maioria dos livros abordam temas onde adolescentes são o centro do mundo, eis que surge um estranho - ou seria um pistoleiro? - com uma ideia antiga e diferente.

Tal como já foi abordado em outros lugares, seria muito bom se os leitores de hoje parassem apenas de procurar best-sellers atuais e tentassem viajar um pouco por coisas mais "antigas". E tendo isso em mente, hoje decidi algo dos anos 70, mas que até hoje impacta e impressiona seus leitores.





Para quem já conhece as obras de Stephen King, não precisa haver sinopse, nem uma capa que seja atrativa. Simplesmente ter o nome dele estampado na capa de um livro já é motivo suficiente para comprar o livro, deixar de pagar a conta de água, correr para casa e postar uma foto no Instagram com hashtags do tipo #instabook #instaking #king #rei. Minto? Se perceberem, na maioria das obras dele, o nome dele é bem maior que o título do livro, pois seu nome tem mais impacto que a própria obra.

Mas deixando um pouco o autor de lado, vamos ver umas das obras que nos mostram que o sobrenome dele caiu melhor que uma luva (trocadilho infame, eu sei) para ele.

A Torre Negra - O pistoleiro, é a primeira obra da saga mais ambiciosa que o escritor já colocou no papel, e também uma das mais importantes dele. Aos 19 anos, (Sim, 19 anos) King foi inspirado pelo poema "Childe Roland à Torre Negra chega" de Robert Browning, e assim começou um dos universos mais fascinantes que alguém poderia construir.

"Mas o que há de mais em uma história sobre um pistoleiro?"

O livro começa com Roland Deschain caçando alguém conhecido apenas como Homem de Preto, homem que poderia ser a única pista sobre como encontrar a Torre Negra. Roland é um pistoleiro, muito diferente do termo empregado hoje em dia. Naquela época os pistoleiros tinham um código de ética, e eram mais ou menos cavaleiros do Velho Oeste. Logo nas primeiras páginas, podemos perceber a habilidade de King em dissecar pensamentos, criar teorias e a construção de expectativas. O que não é muito diferente do que se passa na nossa cabeça, e o que poderia ser apenas uma viagem chata e sem sentido por um deserto, torna-se um diálogo mental interessante e cheio de peças para um quebra-cabeça que irá se montando ao longo de toda a saga.

A medida que vamos lendo, chega um momento em que - ao menos eu, particularmente - começamos a fazer perguntas. Como isso foi para ali? Como isso surgiu aqui? King nos mostra que já cedo ele sabia fazer malabarismo com todos os ingredientes de uma história enquanto se equilibra num fio de tensão que pode romper a qualquer momento de forma majestosa. Misturando elementos de fantasia, suspense e um pouco de horror, o autor vai introduzindo tudo isso aos poucos, de uma forma tão sutil que quando nos damos conta, já estamos aceitando aquilo. No deserto tudo pode acontecer, e tudo pode se perder. E nesse mundo de pistoleiros, ficamos em dúvida se estamos no passado ou no futuro, pois há um contraste entre coisas antigas, com certa tecnologia, além de ter músicas como Hey Jude.
Nos apegamos a Roland e, aos poucos, nos envolvemos com ele, querendo saber onde está a bendita Torre, o que ela é, o que há lá que ele tanto deseja.

A Torre Negra tem tudo que um livro deve ter. Tem seus momentos calmos, seus momentos de tensão, de reviravolta e de frustração, tudo isso envolto em mistérios que não serão revelados tão cedo. E como uma orquestra, Stephen King sabe construir cada acorde, cada tom musical, nos envolvendo em seus sons numa tempestade maravilhosa de violinos e a tensão vai aumentando até que tudo exploda em um êxtase quase divino. É exatamente isso o que vejo em sua escrita, a construção dos pensamentos dos personagens é soberba. Ele nos incita a pensarmos junto com os personagens, e o melhor, em alguns momentos nós conseguimos responder a coisa certa antes de verificarmos o que o personagem vai responder. E a cada nova descoberta, algo sutil crepita dentro da gente, pedindo por mais e mais. Algo chamado curiosidade e fascinação.

Para quem não conhece Stephen King, A Torre Negra é uma boa pedida, e para quem conhece, mas ainda não leu, aconselho a ler imediatamente. King confessou que já recebeu cartas de pessoas que diziam estar com uma doença terminal e que precisavam saber o que acontecia no final da saga, mas o próprio King disse que não sabia o que ia acontecer. Só cabe a nós esperarmos ansiosos, e rezar para que ele não decida visitar o outro mundo antes de terminar essa incrível saga.

Lucas Viana