Hoje estreio uma nova coluna, o Papo Literário. Onde irei interagir, debater e expor minhas opiniões sobre algumas coisinhas no mundo da literatura e cinema. E queria começar com um tema um tanto quanto polêmico : o preconceito com a literatura nacional.



O número de leitores no Brasil vem crescendo ano após ano. Harry Potter, Percy Jackson e obras de autores como John Green e Nicolas Spark vem trazendo não só jovens como adultos pra esse mundo que é a leitura. Porém, ainda tem uma coisa que precisa ser superada: esse preconceito com livros nacionais.

Duvido muito que a maioria das pessoas, antes de ler um livro estrangeiro, procura saber de que país é o autor. Canadá? Rússia? Inglaterra? Que diferença isso faz? Se tem uma capa que te chamou atenção, se faz o gênero que você gosta de ler, ou a sinopse te agradou, você lê. Simples assim. Mas quando se trata de livros naiconais... Pode ter uma capa legal, pode ser de um gênero que você curte memso, pode ter uma sinopse incrível. Mas se o autor é brasileiro, passam reto.

"Livros nacionais não prestam", é o que costumo ouvir com muita frequencia. E o irônico é que essas mesmas pessoas que dizem isso sonham em publicar suas obras. E aí eu pergunto a essas pessoas : se você não gosta de livros nacionais, quem vai ler seu livro? Se você acha livros nacionais uma porcaria, o que faz seu livro ser diferente dos demais? O seu tmabém é uma porcaria então? Ninguém deveria ler?

Mas posso tentar compreender esses pontos de vista. Os poucos livros nacionais que a galera conhece são clássicos. Dom Casmurro? Memórias de um Sargento de Milícias? O Cortiço? A Moreninha? Podem até conhecer de nome, mas a maioria ou não leu ou começou a ler e não gostou. E isso tem uma explicação.

Imagine uma pessoa que está acostumada a ler livros como Divergente pegar O Senhor dos Anéis pra ler. Não querendo ofender, mas a linguagem de certos livros são mais fáceis que outros. Ou então imagina alguém que é acostumado a ler livros como Percy Jackson pegar um Silmarillion da vida. O que essas pessoas vão achar do livro : chato, maçante, tedioso. Vão abandonar a leitura ou terminar quase morrendo. Não é fácil. Livros de Tolkien costumam ter uma linguagem mais descritiva, detalhada, rebuscada. Significa que o livro A ou B seja ruim? Não.

E é exatamente isso que acontece com os clássicos brasileiros. São ruins? Não. Mas tem uma escrita, uma linguagem com a qual normalmente não estamos habituados. Mas esse problema acontece com os clássicos da literatura mundial. Odisséia? Dom Quixote? Alice no País das Maravilhas? O Estrangeiro? Podem até ter ouvido falar. Mas se você pegar uma lista com as maiores obras universais, vai contar nos dedos quais já leu. Porque esses também contém uma linguagem diferente da que estamos habituados.

Mas então, se tanto clássicos da literatura brasileira quanto clássicos da literatura mundial não são lidos, por que esse preconceito com livros nacionais?

Eu tenho várias teorias. A primeira é que a galera acha que aqui só tem esses clássicos. Mas se engana muito quem pensa assim. Da mesma forma que existem N gêneros de livros lá fora, tem aqui também. Livros de romance, de ficção científica, de fantasia, de mistério, investigação, etc.

Porém, vem outro detalhe. Eles não são muito divulgados pela mídia e maioria das editoras. O motivo? Você confere na 2º parte.