Olá a todos. Meu nome é Thainá e sou a criadora do blog Um Remédio Chamado Ler, ou URCL se preferir. Faz um tempinho que não apareço, ne? Quem me conhece sabe que às vezes dou umas sumidinhas. Para quem não me conhece, saiba que eu dou uns sumiços mas sempre volto.


Hoje venho aqui contar pra vocês uma coisa que me chateou muito, algo que aconteceu. É uma explicação, um pedido de desculpas, um desabafo. Também acaba sendo um pedido de ajuda, de conselhos, fiquem à vontade nos comentários. E serve de aprendizado também.






Eu sempre fui conhecida no facebook por criar RPG’s, os mais famosos inspirados em Jogos Vorazes e de Harry Potter. Diria que essa história começa com esse, de HP, uma saga que eu AMO muito, de paixão. Montei uma escola virtual online de Hogwarts e nessa escola tínhamos um jornal online, o Profeta Diário.


No Profeta Diário ou PD, publicávamos o que havia acontecido de destaque no RPG ou que em breve aconteceria. Meses depois passamos a lançar em formato de revista semanal e apesar da correria e dificuldades para publicar edições nas datas certas (sério, é bem mais complicado do que parece cumprir toda semana aquele prazo) eu simplesmente me apaixonei por esse trabalho, escrever e organizar as edições.


Com o fim do RPG (tive que encerrar já que eu iria prestar enem e precisava focar nos estudos, afinal, era um evento com pouco mais de 800 participantes e era MUITA coisa pra administrar) e a não renovação dele para 2015, decidi levar uma coisinha dele, a revista.



Eu pensei em escrever sobre livros, uma revista literária. Eu me inspirei no meu blog e em muitos outros que eu visitava diariamente para fazer algo interativo, com uma linguagem leve. Juntei uma galerinha que já tinha feito isso comigo e começamos a planejar. E planejamos, organizamos, mas quando chegava na hora da execução não dava. Faltava tempo, rolava aquele medinho (porque uma coisa é fazer por brincadeira, outra é pra levar a um público grande e sério).


Meses se passaram, alguns saíram, decidi recrutar pessoas dos grupos Nyah Oficial (esse grupo é demais) e Leitores Anônimos (se você não conhece LA, tenho péssimas notícias a você). Alguns sumiram, saíram, vida que segue. Mas é assim que conheço “A” (não vou citar o nome porque não quero expor a identidade). Desde o começo “A” se mostrou super interessada no projeto, sempre prestativa, pronta para assumir novas responsabilidades. Parecia até surreal esse interesse.


Já havia se passado um ano nessa luta pra lançar a revista. “A” motiva colunistas, faz sugestões. Eu decido fazer um teste pra ver se a equipe está pronta para assumir essa responsabilidade, não estão. Se você está prestes a criar uma empresa, porque querendo ou não seria uma empresa, uma organização, e se ela se compromete a postar TODO MÊS uma edição, tem que haver certa responsabilidade. Eles não estavam conseguindo cumprir os prazos mensais. Eu não poderia exigir muito, afinal, ninguém nem recebia salário, faziam de livre e espontânea vontade. O projeto desandou.





“A” cursava jornalismo. Ela me dá conselhos. Com o projeto parado, nos afastamos. Passam-se meses. Chegamos no começo de 2016. Eu prometi a mim mesma que não iria desistir, dessa vez ia dar certo. Chamei membros antigos, poucos responderam, mas era o suficiente. Convidei “A” e ela nem exitou em dizer sim. Convidei ela para ser editora-chefe.
Criei grupo no whats. Definimos temas, data de estréia, começamos a trabalhar. Devo ter escrito umas 15 matérias em 20 dias, e isso porque estava em época de prova na facul. “A” também. Os outros às vezes desandavam, alguns assumiam que não davam tudo de si, mas faziam o que era pedido.

“A” passou a me chamar mais no privado. Queria conversar só comigo, sabe? Me motivava a falar com ela antes dos demais. Tinha dias que nas reuniões semanais só tinha eu e ela, então ne…

Ela se esforçava muito, isso eu não posso negar. Parecia que só ela entendia o quanto isso era importante pra mim e como era estressante. Ela conseguiu parceiros para a revista. Foi a um evento como imprensa pela revista. Comprou cartõezinhos para distribuir divulgando a revista.

Então ela criou o email da revista. Criou página no facebook para a revista. Eu havia dito que iria fazer isso, mas ela tomou a iniciativa. Então de repente apareceu com um site para a revista, um site com domínio próprio. Ela já não é mais apenas uma editora-chefe, ela é sócia, ela tem parte nessa revista. Não tem? Depois de ter feito isso.

Me incomodou o fato de ela nem ter pedido. Mas eu não tinha dinheiro mesmo, o que poderia fazer? A justificativa dela é válida, algo com domínio próprio passa mais credibilidade do que o gratuito. Como recusar? Que imagem eu passaria diante de todos dizendo "não quero não, obrigado?" Era um por todos e todos por um.

Até porque parecia que todos já sabiam do site, menos eu. Só fui saber dele um pouco antes da estreia, ela havia pedido para dois dos colunistas editarem ele e por eles não terem cumprido o prazo, ela me chamou pra mexer no layout e tal.

“A” disse que queria ficar responsável pela diagramação. Eu já estava sem computador havia um ano, se não estava no celular era pela faculdade que trabalhava nisso. Fazia sentido, mais uma vez. Eu reviso as matérias, ela junta tudo. "A" me mostra uma prévia e então some. Falta uma semana, eu estou desesperada. Ela não me responde. Os colunistas estão aflitos. O que está acontecendo?




Resumindo, foi um desastre. Depois ela reapareceu, disse que precisava mudar umas cores de fundo, trocar umas imagens. Me ofereço pra ajudar ou assumir N vezes, ela não aceita. "A" pega a lista de assinantes. Meu cérebro está apitando, ALERTA VERMELHO. Por que ela não me manda essa lista, que já pedi umas mil vezes? Não quero ser rude, mas…

Todos me perguntam, cadê a edição? Eu não sei. O que está acontecendo? Eu não sei.

Eu mando mensagem atrás de mensagem. Eu tô com os cabelos em pé. Então, além de colunistas e designers, eu tenho assinantes atrás de mim cobrando, parceiros, blogueiros. Me sinto uma idiota. Uma amiga pergunta como que não sei o que está acontecendo se fui eu que criei isso, que tipo de administradora isso me tornava?

O nome da revista? Revista Geeks. Ela seria voltada para o público jovem-nerd, gratuita.

Minhas férias chegam. Eu imploro para “A” me mandar o que ela já tem pronto ou para assumir caso não tenha terminado, sem resposta. As férias chegam. Não tenho computador. Quebro o meu celular. Ela sumiu. Eu estou triste, confusa, irritada, desolada.

As férias terminam. Um pc novo aparece em casa. Eu penso bastante. Não posso desistir, não agora. Não devia ter deixado alguém com tamanha responsabilidade. Eu não devia ter ficado parada nas férias, devia ter dado um jeito. Culpa, arrependimento. Se ela não entregou no prazo, eu devia ter feito. Então está decidido, eu vou fazer.

E então tenho um problema, eu tenho várias matérias ultrapassadas. Dia dos namorados? Já foi. Análise do trailer de Esquadrão Suicida? O filme já até lançou. Não só eu, mas colunistas se esforçaram para escrever, foi trabalho deles. Vai ter que ir pro lixo?

Autores deram entrevistas, blogueiros nos divulgaram, e o que eu mais temia aconteceu: deixei muita gente na mão.

E a confiança foi quebrada. Como voltar a confiar em “A’? Eu juntaria aquelas matérias, teria que revisar de novo claro, e lançaria como “Melhores do 1º semestre de 2016” ou como “Melhores do Ano”. Então “A” reaparece.

Ela finalmente se explica. Depressão das graves. E claro que torço pela melhora dela, eu entendo. Tem dias, semanas, meses que passamos por cada perrengue. Um dia estamos de pé, nos outros seis caídos. Quem sabe?



Ela quer voltar da onde paramos. Entendo a situação dela, ficou doente. Mas ela podia ter mandado uma mensagem, apenas um aviso. “Olha, eu não to bem, não vou conseguir fazer. Faça?”. Quantas vezes não me ofereci pra fazer? Teve o dia que ela ficou sem energia, o computador deu pau. Ela nunca me deixava fazer a parte dela. Esforçada, destemida? Sim. Mas precisava  mais humildade pra dizer pedir ajuda.

Digo que seria injusto eu não colocar ela de volta na revista, até porque ela ralou bastante, deu do próprio bolso. Mas como editora-chefe? Não dava. Eu iria diagramar daqui pra frente. Ela diz que não aceita. Que legalmente, quem tem direitos na revista é ela e um garoto que fez a capa e parte dos logos (o mesmo que ela pediu pra editar o site e ele não editou). Eu não quero o site dela se ela não quiser, nunca pedi por isso. "A" deveria pegar o dinheiro de volta.Ela diz que já pagou um ano adiantado no site. Eu não sabia. Estou surpresa. Por que ela fez isso e sem me contar? Não sei. Não tenho certeza. Na verdade, segundo "A", ela é a dona da revista. Que?

Eu digo que isso é um absurdo, eu criei essa revista. Mas quem criou a página? O site? O email? Posso ter mesclado 4 páginas minhas pra fazer a página da revista ganhar 3 mil likes. Posso ter editado aquele site todo depois que ela pediu. E daí? Eu me f*d!. É isso.


Enquanto conversamos percebo que fui tirada da página. Ela está me tirando do meu próprio projeto e tem a capacidade de dizer que não está me passando para trás. Sinto que estou levando uma facada nas costas. O email teve a senha trocada horas atrás. Ou seja, antes mesmo daquela conversa "A" já tinha tudo preparado.

Ela diz aos colunistas que estamos nos separando e eles se sentem num tiroteio. Terão que escolher com quem ficar? Espera aí, eu não separei nada, ELA ME TIROU!! “Eu quero trabalhar com as duas”, uma diz. Eu explico que não saí porque quis, EU FUI CHUTADA. Não tem essa de "é uma separação amigável". Não sei se tive escolha nisso.

“A” está falando mal de mim pelas costas. “Ela queria mandar em tudo, por isso nos separamos”. Não nos separamos, ela ME TIROU. Eu me sinto mal pra caralho. Como você se sentiria sendo saqueado por trás e ainda ver que estão distorcendo fatos e falando mal de você pelas costas?

Confesso, chorei. Mas eu iria sentar no chão e chorar? Com toda certeza, não. Não pra sempre. Deixa só por um dia a bad comigo. Hello darkness, my old friend .

Mas eu levanto, coloco um sorriso no rosto e me comprometo a fazer o melhor. Até porque, olha a notícia: vou poder ir como imprensa na Bienal do Livro TODOS os dias e DE GRAÇA *_*. 

Conclusão, eu não queria que ela ficasse com aquela revista. Com aquele nome, com aquela página. O email tinha contatos meus, entrevistas minhas. Talvez tenham pessoas por aí decepcionadas porque nem dei retorno. Sinto muito, nunca mais tive acesso aquele e-mail e perdi tudo.

Estou editando isso em 2019. Eu tinha dito em 2016 quando escrevi esse post: "Vou criar outra revista. Outro site, outra página, eu recomeço. Quem nasceu pra ser diva não pode parar."




Anos depois, eu posso dizer que apesar de ter me machucado muito na época, isso me serviu de muito aprendizado. O Felipe Cunha, do Minha Pequena Estante esteve comigo desde as épocas do RPG e continua comigo até hoje. Depois de alguns meses daquela história toda nós voltamos com um novo nome, Revista Jovem Geek. Criamos duas edições sozinhos e aprendemos com nossas falhas. Depois convidamos novas pessoas para a equipe e conheci Carol Garcia, editora-chefe e diretora de redação. Brendo da Costa é responsável pelo treinamento dos membros e redes sociais.

Nós temos nosso site, lançamos edições todo mês e nossa equipe deve ter uns 20 membros divididos entre colunistas para o site, redatores para a revista, social media criando postagens nas redes sociais. Isso não aconteceu da noite para o dia. Cada erro, cada falha, cada tropeço serviu para algo.

Depois de alguns anos, "A" pediu desculpas e me devolveu a página. Não que eu precisasse dela, mas foi um sinal de "eu errei e sinto muito". Também sinto. Mas não mais como antes.

Ainda não tenho milhões de acessos, mas espero um dia voltar nesse post e poder dizer que isso aconteceu. Um dia a gente chega lá, não desistam dos seus sonhos. Se você acredita e luta por isso, vai dar certo.