Sinto saudades do auge dos blogs. Diversas comunidades no facebook, dos mais variados nichos. As pessoas escreviam porque queriam, porque gostavam. O mundo era tão mais simples. A gente aprendia a mexer com html e css sozinho, indo em tutoriais e na tentativa e erro. Lembro de quando construí meu primeiro menu suspenso, gente que emoção. Das horas intermináveis traduzindo fóruns em inglês, tentando consertar algum erro. 

E sabe de uma coisa que também sinto falta? Dos estilos de escrita. Cada redator tinha o seu, e colocava um pouco de si no seu blog. Não importa se era sobre livros, maquiagens e estilo de vida, eu sentia prazer em visitar a casa virtual dos outros, e amava receber visitas. 

Créditos: Samantha Altana


Surgem as primeiras parcerias, a emoção de receber algo de graça, em troca da divulgação. O dilema entre querer agradecer por receber algo, mas não gostar tanto de algumas coisas, e querer ser honesto com seus leitores. A gente se preocupava com essas coisas, sabe? Antes de precisar vir uma lei pra regulamentar isso.

Teve uma época em que a gente era bem cafona. Saía glitter do cursor do mouse, as páginas tremiam. Era um carnaval de cores e sensações. Céus, como sinto falta disso. Agora, tudo é uma penca de anúncio. Você realmente não consegue ler uma matéria inteira, sem ter que se desviar de uns 3 ou 4 anúncios. E entendo, é assim que alguns ganham o dinheiro. Não fiz isso, e por isso continuo com uma rentabilidade aquém. 

As divulgações de produtos soam extremamente falsas. As pessoas não tem mais costume de escrever como antes. Você tem que pisar em ovos com tudo, e obviamente, portais gigantes compram os pequenos e ou os destroem, ou mudam a linha criativa toda. Genérico, raso, vazio. Inteligências Artificiais produzem os mesmos conteúdos, mas houve um tempo em que era tudo nosso. Nós dominávamos isso. Nós produzíamos matérias tão boas, que chegavam a estar melhores do que as divulgadas por portais gigantes.


Não sei se consigo fazer muito diferente do que faço, então mantenho esse lugar pela nostalgia e pela vontade de expressar parte dos meus pensamentos e emoções. Me sinto angustiada em tantas áreas, da vida. Curioso perceber que tem pessoas, nos mais diversos cantos do mundo, sentindo coisas parecidas. Parece que não importa o quanto você corra, alguém andando te ultrapassa. E não que estejamos todos competindo, mas eu queria ter mais tempo para escrever, e não tenho. Pensei tantas vezes em cursar jornalismo ou comunicação, mas não tem vagas pra todo mundo, e não acho que me destaco tanto assim, para as poucas vagas boas disponíveis. 

Sei que não é possível voltar ao passado, não tenho muitas expectativas para o futuro. Vivo todos os dias, encantada pelas coisas novas que vejo, e também pelo "de sempre" presente. Talvez eu saia de onde estou, no trabalho, e ande num parque. Às vezes, é bom colocar algo em perspectiva.

Eu AMO escrever. E eu AMO ler. Onde estão vocês, que também amam isso? Precisamos nos aquilombar 

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